O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), até o fim do segundo turno das eleições presidenciais. A decisão atende a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e aponta suspeitas de disseminação coordenada de informações falsas contra o parlamentar.
A medida estabelece que a plataforma suspenda o canal em até duas horas e também prevê a suspensão da conta de Janones. O Facebook, empresa responsável pelo WhatsApp no Brasil, deverá apresentar um relatório com todas as mensagens publicadas no espaço, além de informar sobre outros canais criados ou administrados pela conta do deputado desde 5 de outubro.
Na decisão, Nunes Marques afirma que a mobilização política organizada por Janones é legítima, mas considera que a estrutura pode estar sendo utilizada para finalidades ilícitas, incluindo a divulgação coordenada de informações sabidamente falsas contra um candidato.
Um dos pontos destacados pelo ministro é o crescimento expressivo do canal. Segundo a decisão, o espaço tinha cerca de 55 mil seguidores na manhã de 5 de outubro. O número subiu para 2.090.796 em 7 de outubro e chegou a 2.967.820 na tarde do dia 9. Até 7 de outubro, as mensagens publicadas haviam acumulado 3.582.366 encaminhamentos.
O documento também menciona declarações atribuídas a Janones sobre a organização da mobilização. Em uma delas, o deputado teria orientado os participantes a repetir as narrativas divulgadas no canal. Em outra transmissão, realizada em 8 de outubro, teria defendido uma atuação baseada em “comando único”, com os integrantes seguindo as orientações recebidas.
A decisão cita ainda conteúdos que associariam Flávio Bolsonaro à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, à redução de aposentadorias e pensões e ao envolvimento com milícias. Segundo o ministro, afirmações semelhantes já foram reconhecidas como inverídicas pela Justiça Eleitoral em processos relacionados ao administrador do canal.
LULA CRITICA DECISÃO E ANUNCIA REAÇÃO JUDICIAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a determinação e afirmou que sua equipe jurídica acionará a Justiça Eleitoral para pedir explicações. Para o presidente, decisões recentes da Corte têm prejudicado sua candidatura.
“Eu acho um absurdo, os nossos advogados vão entrar com um pedido de explicação ao presidente do TSE porque há alguns dias vêm acontecendo decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou.
Lula também questionou a diferença de tratamento entre as campanhas e afirmou que pretende buscar medidas para garantir equilíbrio na disputa eleitoral. Segundo ele, a Justiça estaria bloqueando conteúdos ligados a seus apoiadores enquanto permitiria ações favoráveis ao adversário. “Nas redes nós estamos ganhando o jogo. Nosso povo está postando muita coisa, está muito ativo e por isso tenho desconfiado da postura da Corte eleitoral que tem bloqueado gente nossa e permitido as ações dele”, afirmou.
O presidente acrescentou que pretende apresentar um pedido para “equilibrar esse jogo”. O deputado André Janones também reagiu à decisão nas redes sociais. Ele repudiou a suspensão e afirmou que, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, a censura será instalada no país.
O canal “Exército do Lula” foi impulsionado após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Os dois candidatos disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Fonte: JuriNews