MP-SP pede condenação de youtuber Renato Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou na quarta-feira (21) suas alegações finais e pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Em caso de condenação, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.

A alegação final é a última manifestação do Ministério Público em um processo, movimentação que ocorre após a produção de provas e antes da sentença. Além de Cariani, a promotoria pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Fábio é apontado como intermediador no fornecimento das substâncias, atuando como o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína. Já Rodrigo, segundo o documento, exerceria funções relacionadas à movimentação e circulação de recursos ilícitos, realizando depósitos em espécie e promovendo operações para dar aparência de licitude ao produto dos crimes.

O advogado criminalista Anderson Almeida explicou que, se a Justiça aceitar integralmente o pedido do Ministério Público, cada réu poderá receber uma pena de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas. O cálculo considera a possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos para a fabricação de drogas e 59 crimes de lavagem de dinheiro. Almeida apontou que o cálculo considera o aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ressaltou que o limite de cumprimento de pena é de 40 anos, independentemente da soma das penas aplicadas na condenação.

Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que em dezembro de 2023 desmontou um esquema que desviava produtos químicos para produção de drogas. Na época, a Polícia Federal apontou que a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo, da qual Cariani era sócio, fraudava a venda de insumos a empresas farmacêuticas, material que era desviado para o refino de cocaína. Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os itens, e o próprio influenciador simulou pedidos fictícios para justificar os desvios.

Conforme o MP-SP, em 26/02/2018, Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA, sendo 100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína. Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’. Além disso, o órgão aponta que ele agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente. O MP também pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.

Segundo o Gaeco, mensagens extraídas do celular de Cariani indicam que ele mantinha uma relação muito próxima com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos. Renato recebia informações acerca de diligências, opinava sobre situações e sugeria empresas que poderiam ser objeto de fiscalização. Para o Gaeco, isso evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico e prejudicar concorrentes. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, Cariani respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”. Os promotores argumentam que as mensagens exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa.

Por meio de nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, diz “receber com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público”. “Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, disse Romani. “Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou.

As investigações contra a empresa começaram em 2019, quando a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que a Anidrol emitiu notas fiscais no ano de 2017 referentes a movimentações de produtos químicos que não reconhecia como suas. Fábio seria um dos responsáveis por realizar, em 2019, depósitos em espécie na conta da Anidrol sob responsabilidade da AstraZeneca. Segundo as investigações, Fábio Spínola criou um falso e-mail em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa de Cariani teria negociado a compra dos produtos. Spínola era quem direcionava e negociava a entrega dos produtos químicos para o tráfico de drogas.

Renato Cariani é um dos principais nomes do mundo fitness e conhecido por ser o maior apoiador do fisiculturismo brasileiro. Cariani tem 50 anos e é casado com Tatiane Martines Cariani. Ele possui mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de seguidores no canal do YouTube, com vídeos que acumulam 1 bilhão de visualizações. Nas redes sociais, ele se apresenta como professor de química, professor de educação física, atleta profissional, empresário e youtuber.

Com informações do G1

Fonte: JuriNews

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