O Ministério Público do Ceará (MP-CE) pediu o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto por suspeita de indução ao suicídio da namorada, Isabelle Caracristi, encontrada morta aos 22 anos em Fortaleza. O órgão avaliou que não há provas suficientes de que o investigado tenha induzido, instigado ou auxiliado a jovem a tirar a própria vida. O pedido ainda será analisado pela Justiça.
Em manifestação, o Ministério Público afirmou que as provas reunidas durante a investigação não demonstram intenção de matar nem participação deliberada de João na morte da estudante. Segundo o órgão, também não foram identificados elementos que estabeleçam uma relação causal juridicamente relevante entre a conduta atribuída ao investigado e o resultado morte. Para o Ministério Público, os fatos apurados não configuram, com base nas evidências disponíveis, crimes dolosos contra a vida.
A solicitação será examinada pela 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza. Caso seja aceita, o arquivamento encerrará oficialmente essa linha de investigação, mas não impedirá a apuração de outros crimes atribuídos a João. João Munhoz Neto foi indiciado pela Polícia Civil por violência psicológica e fraude processual, mas não por indução ao suicídio. A hipótese chegou a ser considerada durante as investigações, porém não foi incluída no indiciamento após a conclusão do inquérito.
A investigação policial foi encerrada em 30 de setembro, com a produção de 17 laudos periciais. A conclusão da Polícia Civil foi de que Isabelle morreu em decorrência de uma precipitação voluntária, caracterizada como suicídio. O inquérito reuniu depoimentos de 29 pessoas, entre familiares, amigos, colegas de trabalho do casal, moradores e funcionários do condomínio onde os dois viviam. Entre os ouvidos estavam uma diarista, a síndica do prédio e a ex-mulher de João.
Com o indiciamento por violência psicológica e fraude processual, o Ministério Público deverá analisar os elementos reunidos pela polícia para decidir se apresenta denúncia contra o investigado. Caso a acusação seja aceita pela Justiça, ele passará à condição de réu pelos crimes denunciados.
Após o indiciamento, a defesa de João afirmou que ele não tentou obstruir as investigações e que disponibilizou o próprio telefone para a realização de perícia. Os advogados também contestaram a suspeita de violência psicológica, classificando a acusação como um “completo absurdo”. Segundo a defesa, João sempre tratou Isabelle com carinho e afeto.
A nota ainda questionou a possibilidade de um relacionamento de aproximadamente 30 dias ter provocado o quadro apontado na investigação. Os advogados sustentaram que a jovem poderia enfrentar problemas anteriores ao namoro, argumento apresentado pela defesa, sem que isso represente uma conclusão oficial sobre as circunstâncias da morte.
João foi preso em 22 de setembro e permaneceu detido por cerca de dez dias. Em 1º de outubro, a Justiça revogou a prisão preventiva após acolher o pedido da defesa e a manifestação do Ministério Público. Ele deixou a prisão mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
RELEMBRE O CASO
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta em 13 de setembro no condomínio onde morava com João Munhoz Neto, em Fortaleza. O caso ganhou repercussão nas redes sociais depois que a mãe da estudante publicou um vídeo cobrando esclarecimentos e justiça pela morte da filha.
A investigação foi conduzida por equipes especializadas da Polícia Civil do Ceará, com participação da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Além dos familiares e amigos da estudante, os investigadores ouviram a ex-mulher de João, que prestou depoimento em 26 de setembro. Legalmente, os dois ainda são casados, mas a defesa do investigado afirma que eles estavam em processo de separação quando ele conheceu Isabelle.
Fonte: JuriNews