Justiça prorroga por mais 30 dias prisão de Milton Leite, suspeito de ligação com o PCC

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de paulista, investigado por suspeita de participação em um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital do estado. A apuração envolve contratos públicos da empresa Transwolff, apontada pelas autoridades como parte de uma estrutura suspeita de lavagem de dinheiro e atuação do crime organizado.

Leite está preso desde 18 de setembro deste ano, quando se apresentou à Polícia Civil após não ser localizado durante o cumprimento dos mandados da Operação Vectura Corrupta. Ele nega as acusações e afirma não ter participação em atividades ilegais. A investigação busca esclarecer a suposta atuação de agentes públicos, empresários e policiais em um esquema que, segundo as autoridades, teria permitido ao PCC ampliar sua influência sobre empresas responsáveis pelo transporte coletivo em SP.

A suspeita de que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff ganhou força após um depoimento prestado em fevereiro de 2026 pelo segundo-sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário. Na ocasião, o policial, que também foi preso, afirmou à Corregedoria da corporação que Leite seria o dono da companhia e que os demais diretores atuariam como intermediários.

Segundo Cezário, a suposta influência do ex-vereador também teria relação com a organização das equipes de segurança que atendiam dirigentes da empresa. Entre os envolvidos estava o capitão Alexandre Paulino Vieira, que trabalhou como segurança de Leite e foi preso em uma investigação sobre escoltas ilegais.

No depoimento, Cezário declarou acreditar que o capitão havia sido indicado para comandar as equipes de segurança por trabalhar diretamente com Leite na Câmara Municipal. O policial, entretanto, ressalvou que havia apenas ouvido relatos sobre a suposta propriedade da Transwolff pelo ex-vereador e que não tinha provas para confirmar a informação.

Na época, Leite negou conhecer o sargento e afirmou que não era proprietário da empresa. Também declarou ter oferecido voluntariamente seus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público após acusações semelhantes feitas anteriormente.

OPERAÇÃO INVESTIGA INFILTRAÇÃO NO TRANSPORTE PÚBLICO

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para investigar a possível infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital. Ao todo, a Justiça determinou a prisão temporária de 16 investigados, além do cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo, no interior e no litoral do estado.

Entre os alvos da operação também está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), preso na quinta-feira anterior à apresentação de Leite à polícia. As autoridades apuram a participação individual dos investigados e a possível articulação entre integrantes do setor público, empresários e membros das forças de segurança.

De acordo com informações apresentadas pelo delegado Fabricio Intelizano durante entrevista coletiva, as prisões foram decretadas inicialmente por 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. A medida busca permitir o avanço das diligências e o esclarecimento das suspeitas.

As apurações indicam que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de SP poderiam estar sob controle do PCC. Conforme a hipótese investigativa, a organização criminosa teria utilizado empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e mecanismos de lavagem de dinheiro para ampliar sua presença no setor.

Durante as diligências realizadas no dia em que Leite se entregou, policiais encontraram R$ 280 mil e US$ 89 mil na residência de um assessor ligado ao ex-vereador. Considerando a cotação informada à época, o dinheiro em moeda estrangeira correspondia a aproximadamente R$ 457 mil, totalizando cerca de R$ 737 mil. A apreensão ocorreu no contexto das buscas relacionadas à operação. A investigação deverá esclarecer a origem dos valores e eventual relação com os fatos apurados.

Ao se apresentar à Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, Leite afirmou que não havia cometido crimes e que pretendia demonstrar sua inocência no decorrer do processo. Ele também declarou que cumpriu o compromisso de se apresentar às autoridades, após não ter sido encontrado inicialmente. O ex-vereador sustentou que respeita as decisões judiciais e disse confiar no trabalho da polícia e da Justiça.

TRAJETÓRIA POLÍTICA

Milton Leite iniciou sua trajetória na Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e exerceu sete mandatos consecutivos, sendo reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas duas últimas eleições municipais, ficou entre os vereadores mais votados do país, alcançando a segunda colocação. Ele presidiu a Câmara entre 2017 e 2018 e voltou ao comando da instituição de 2021 a 2024. Em julho de 2024, anunciou que não concorreria a um novo mandato, afirmando considerar concluída sua contribuição à sociedade.

Atualmente, Leite preside o União Brasil em São Paulo. Apesar das suspeitas investigadas, ele nega qualquer vínculo com o PCC e afirma que seus contatos com representantes do setor de transporte ocorreram em razão de sua atuação política. O ex-vereador também declarou que se reunia com integrantes do segmento por causa de uma atribuição recebida do então prefeito Bruno Covas para tratar de questões relacionadas ao transporte público.

A prorrogação da prisão mantém Leite sob custódia enquanto as autoridades aprofundam as investigações. Até o momento, as acusações mencionadas fazem parte de uma apuração criminal e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

Fonte: JuriNews

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