Justiça manda soltar motorista que atropelou manifestantes em ato pró-Lula

A Justiça concedeu liberdade provisória ao motorista Wesley Ribeiro dos Santos, de 45 anos, após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (19). O condutor foi detido após atropelar Hilário da Silveira, de 67 anos, durante um ato pró-Lula ocorrido no último sábado (17). A decisão judicial impõe uma série de medidas cautelares que visam assegurar a ordem pública e a integridade da vítima, incluindo a proibição de aproximação, recolhimento domiciliar noturno em dias úteis e permanência integral em casa aos sábados, domingos e feriados.

Além das restrições de circulação, o magistrado determinou o comparecimento mensal em juízo pelo período de seis meses para que o investigado informe e justifique suas atividades. Para garantir a fiscalização dessas condições, foi imposto o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão adverte expressamente que o descumprimento injustificado de qualquer uma dessas determinações poderá resultar na decretação da prisão preventiva, medida que priva a liberdade do indivíduo antes do trânsito em julgado da sentença.

O incidente ocorreu no cruzamento da Rua da Bahia com a Rua Tupinambás, quando o veículo Up de cor amarela, conduzido por Wesley Ribeiro dos Santos, avançou o sinal vermelho no momento em que manifestantes atravessavam a via. Segundo o relato de um guarda civil à Polícia Militar (PM), o motorista atingiu Hilário da Silveira e evadiu-se do local sem prestar socorro. O episódio foi registrado por um vídeo que circula como prova do ocorrido.

A Polícia Militar localizou o motorista ainda na Rua da Bahia, na altura do bairro Lourdes, na Região Centro-Sul. Em sua defesa, o condutor alegou que, momentos antes do atropelamento, participantes do ato político arremessaram garrafas de água e latas de bebida contra seu veículo, atingindo sua esposa. O homem afirmou que seus filhos, de 8 e 10 anos, entraram em pânico, o que o levou a acelerar para sair da chamada “zona de risco”. Ele sustentou que não percebeu o atropelamento e que pretendia acionar o serviço de emergência ao chegar em sua residência.

A vítima, Hilário da Silveira, que atua como diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), foi inicialmente levada ao Hospital João XXIII e posteriormente transferida para uma unidade particular. O diagnóstico apontou uma fratura trimaleolar no tornozelo esquerdo, lesão que compromete três partes da articulação e demanda intervenção cirúrgica. Em relato ao g1, Hilário afirmou que o veículo forçou a passagem sobre os manifestantes e que ele foi atingido após o motorista tentar desviar de outra pessoa.

Hilário da Silveira destacou que estava de costas para o carro no momento do impacto e não presenciou os eventos anteriores. Com histórico de participação em movimentos políticos desde as “Diretas Já”, na década de 1980, o sindicalista classificou o episódio como um reflexo do aumento da intolerância no país. O caso segue sob análise das autoridades, enquanto a vítima aguarda o procedimento médico necessário para a recuperação da fratura sofrida durante a manifestação.

Fonte: JuriNews

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