O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa confessou, em novo depoimento à Polícia Civil, ter espancado o filho, Gustavo Veloso, após o menino entrar na piscina sem autorização. A criança morreu após passar um fim de semana na casa do pai, em Palmas. O caso, que resultou no indiciamento e na prisão preventiva de Igor Veloso e da madrasta, Kathellen Moreira da Silva, tornou-se ação penal após a Justiça aceitar a denúncia contra ambos.
Igor Veloso afirmou que se irritou com o filho ao retirá-lo da água, sob a alegação de que a criança teria começado a se afogar. “Saiu da piscina. Como eu disse, ele me irritou profundamente essa resposta dele e foi onde eu agredi ele ali na área da piscina […] a segunda pior irritação é que ele disse que foi a mãe dele que deixou ele pular na piscina. A mãe dele nem lá tava”, declarou o advogado em depoimento.
O advogado detalhou a dinâmica das agressões ao relatar: “Eu bati muito nele lá fora, não foi pouco. […] Quando eu chacoalhei ele, ele bateu a cabeça na parede, e aí eu joguei ele pra frente e dei pisões nele, pisei nas costas dele e na barriga. Então, por aquela questão da barriga dele ser grande, ele já tinha problemas, não tenho dúvidas. Ali eu acho que houve aquele problema no intestino. Então, eu o chutei”. O depoimento foi obtido pela TV Anhanguera.
A perícia técnica apontou que a morte de Gustavo ocorreu devido a uma hemorragia interna decorrente de lesões graves. O laudo dos legistas identificou hematomas na cabeça e no intestino, além de laceração anal, indicando violência sexual. Igor Veloso negou a prática de violência sexual, afirmando: “Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”.
A madrasta, Kathellen Moreira da Silva, também prestou depoimento antes do indiciamento, ocorrido em 17 de setembro. Ela relatou que o companheiro apresentava comportamento autoritário sob efeito de álcool e descreveu momentos de tensão na noite do crime. Segundo Kathellen, ela tentou entrar no quarto onde Igor estava com Gustavo após o outro filho do advogado, de 11 anos, ouvir barulhos de pancadas, mas foi impedida pelo pai.
“Aí, ok, a gente bateu na porta, ele não abriu. Eu fui pra sala, e Igor me ligou e perguntou quem estava batendo na porta. Ele falou assim ‘quem está batendo nessa porta? Eu já te falei: vai cuidar da sua vida, vagabunda'”, relatou Kathellen. Ela afirmou que, na manhã seguinte, ao entrar no quarto para buscar um remédio, viu Gustavo deitado e notou um movimento rápido nos olhos da criança, sem prolongar a interação.
Igor Veloso de Sousa é acusado de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen Moreira da Silva responde por vicaricídio, por omissão diante das agressões, e fraude processual. A defesa de Igor Veloso declarou que os fatos serão esclarecidos nos autos. A defesa de Kathellen Moreira sustenta sua inocência, argumentando que ela não presenciou as agressões e que apresentará provas no processo.
Em nota, a defesa de Kathellen Moreira reiterou que ela estava amamentando sua bebê de cinco meses no momento das agressões, ocorridas na área externa. O texto afirma que ela só soube da morte de Gustavo na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, por meio de uma versão de afogamento apresentada por Igor. A defesa destaca que a ré está privada de liberdade há mais de 60 dias e reafirma seu compromisso com a elucidação dos fatos perante a Justiça.
Com informações do G1
Fonte: JuriNews