João Ferreira

Hoje, o jornalismo jurídico perdeu o seu pioneiro, aquele que é minha maior referência na arte das notícias jurídicas.

Sempre fiz questão de externar a Márcio Chaer minha admiração e gratidão. Ele teve um papel importante no início da história da JuriNews.

Em 2012, quando a JuriNews ainda dava seus primeiros passos no Rio Grande do Norte, como um blog de notícias jurídicas, fui a São Paulo visitar a redação da Consultor Jurídico.

Queria conhecer de perto quem já fazia, em dimensão nacional, aquilo que eu começava a construir.

Foi ali que conheci a grandeza de Márcio Chaer.

Apresentei-me, contei sobre o projeto que estava iniciando no Rio Grande do Norte e encontrei um jornalista dedicado ao ofício de informar sobre o mundo jurídico.

Chaer abriu as portas e, a partir daquele encontro, passei a atuar como correspondente da ConJur no Rio Grande do Norte.

Ele ainda foi além: fez questão de divulgar o lançamento da JuriNews na ConJur. Foi a primeira notícia de alcance nacional sobre o projeto que eu acabava de iniciar.

Jamais vou esquecer nosso primeiro encontro. Para quem estava começando um veículo jurídico longe dos grandes centros, ter o reconhecimento e a confiança de alguém como Márcio Chaer representava muito. Era um incentivo para acreditar que havia espaço para fazer jornalismo jurídico, também a partir do Nordeste, com seriedade e ambição nacional.

Aquele foi o primeiro de muitos encontros que aconteceram nesses últimos 14 anos.

Foram muitas conversas sobre jornalismo, Direito e os bastidores do mundo jurídico. Sempre nos encontrávamos na cobertura dos principais eventos do Poder Judiciário, nos corredores dos tribunais em Brasília e nos tradicionais lançamentos do Anuário da Justiça, uma das iniciativas da ConJur que sempre fiz questão, quando possível, de prestigiar.

Foi justamente em um desses lançamentos, na sede da Associação Paulista de Magistrados, em março de 2024, que fizemos a foto que ilustra este editorial.

Nosso último encontro aconteceu no dia 14 de agosto, em São Paulo, durante uma homenagem à ministra Morgana de Almeida, na PUC-SP.

Ele estava conversando com o ministro Gilmar Mendes, um dos seus melhores amigos, quando me aproximei. Falamos muito rapidamente. Uma pena. Não imaginava que aquele seria nosso último encontro.

De fato, Márcio Chaer era um visionário. Os anos passaram desde aquela primeira vez em que entrei na redação da ConJur. A JuriNews cresceu, se transformou em uma plataforma de alcance nacional, e ganhou uma dimensão que, naquele momento, talvez eu apenas sonhasse alcançar.

Márcio Chaer foi pioneiro porque enxergou antes de muitos a força desse segmento. Criou caminhos, consolidou uma linguagem e mostrou que decisões, tribunais, advogados, magistrados e os bastidores do mundo jurídico podem ser tratados com profundidade e relevância.

A gratidão é a memória do coração.

Descanse em paz, Chaer! E vida longa à ConJur!

Confira a matéria do ConJur sobre a Jurinews

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Fonte: JuriNews

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