Maria Vitória Gomes da Silva, de 24 anos, e Laura Soares Ferreira, de 23 anos, integraram a advocacia goiana após prestarem compromisso legal e receberem suas carteiras profissionais na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). A sessão solene, realizada no dia 28 de setembro, foi conduzida pelo presidente da instituição, Rafael Lara Martins. Ambas as jovens possuem deficiência visual e conquistaram o registro na Seccional após aprovação de primeira no Exame de Ordem.
Naturais do interior do estado, Maria Vitória é de Goianésia e Laura é de Rubiataba. Embora não se conhecessem pessoalmente, as duas compartilharam trajetórias marcadas por coincidências até o plenário da OAB-GO. Além da aprovação logo na primeira tentativa, ambas optaram pela área de Direito Penal na segunda etapa do certame. Durante a prova, redigiram a mesma peça prática, uma resposta à acusação, e resolveram as questões discursivas superando barreiras estruturais com o uso de recursos de tecnologia assistiva ou suporte presencial de ledor e transcritor, alcançando notas expressivas.
Maria Vitória possui deficiência visual desde o nascimento devido a um glaucoma congênito. Alfabetizada em braile, realizou toda a educação básica em escola regular e utiliza leitores de tela, softwares que convertem texto em áudio em computadores e celulares. Graduada em dezembro, ela acumulou experiência prática durante o curso ao estagiar em delegacia de polícia e no Ministério Público de Goiás (MP-GO). Com a carteira em mãos, planeja atuar nas áreas criminal e cível. “Vencer barreiras é algo possível com esforço”, destacou a advogada ao celebrar a conquista.
Já Laura Soares possui baixa visão decorrente de retinose pigmentar, uma alteração degenerativa da retina que dificulta a leitura de caracteres pequenos e compromete a visão em locais com baixa luminosidade. Alfabetizada de forma convencional, ela adaptou a rotina de estudos ao longo do curso, trocando livros impressos por um iPad com alto contraste, fontes ampliadas e uso contínuo da ferramenta VoiceOver. A preparação envolveu resolução intensiva de questões, leitura e audição da legislação.
Para a fase prático-profissional, Laura fez curso preparatório e contou com o auxílio da mãe, que a ajudou na marcação das remissões no Vade Mecum impresso, único material autorizado para consulta, e acompanhou os treinos das peças processuais. Já integrada à advocacia dativa, Laura sintetiza o sentimento da conquista ao afirmar que “tudo é possível. Basta acreditar e ter disciplina”.
Ao saudar as novas profissionais durante a cerimônia, o presidente Rafael Lara enfatizou o compromisso institucional com a representatividade e a acessibilidade na profissão. “A OAB-GO tem orgulho de ter as doutoras em nossos quadros da advocacia. Estaremos aqui para apoiá-las no desenvolvimento pleno da advocacia e na defesa de seus direitos”, pontuou.
Com informações do Rota Jurídica
Fonte: JuriNews