O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou-se o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em comunicado oficial emitido após sua derrota nas Eleições 2026. Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (28), o parlamentar agradeceu nominalmente aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pelo apoio em sua saída do território brasileiro. Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã de hoje, após realizar o que descreveu como uma operação secreta com auxílio do governo argentino.
Em trecho da carta, o senador afirmou: “Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”.
No documento, Flávio Bolsonaro classifica o governo Lula como um “regime” e alega ter sofrido perseguição por parte do Judiciário. O senador menciona especificamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter determinado a apreensão de seus passaportes, documentos que, segundo o texto, não foram entregues. Ele também aponta o que denomina como perseguição ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Sobre sua saída do país, o senador justificou que não poderia combater o sistema permanecendo no Brasil. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”, declarou.
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. O senador anunciou que, nos próximos dias, apresentará uma estratégia para mobilizar o que chamou de “imenso apoio popular”, utilizando meios pacíficos e legítimos para impedir que Lula “consolide um regime ditatorial no Brasil”.
O parlamentar também alegou, sem apresentar provas, ter sido vítima de fraude eleitoral no segundo turno da eleição presidencial. Ele responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do STF, pelo resultado do pleito. A crítica refere-se à decisão de Zanin de prorrogar a votação até as 19h, medida adotada após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, especialmente em São Paulo e na Bahia.
Os pedidos de extensão do horário foram protocolados tanto pelo PT quanto pelo PL. A campanha petista solicitou a medida em todo o país, enquanto a bolsonarista pediu a prorrogação apenas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A decisão de Cristiano Zanin valia apenas para urnas ainda abertas, tendo o ministro esclarecido, cerca de uma hora após a determinação, que a medida se aplicava exclusivamente às seções em que a votação não havia sido encerrada.
Fonte: JuriNews