O advogado Willer Tomaz, alvo da Polícia Federal, protocolou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Rogério Correia (PT-MG). A ação, apresentada em 22 de outubro, fundamenta-se em declarações feitas pelo parlamentar a respeito de um imóvel situado em Angra dos Reis (RJ), que tem sido associado ao jogador Richarlison. Na petição, o advogado acusa o deputado de ter cometido os crimes de calúnia, difamação e injúria.
Em postagens realizadas nas redes sociais, Rogério Correia associou Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à suposta apropriação do referido imóvel. Em uma publicação datada de 21 de outubro, o parlamentar afirmou: “Um ladrão de mansão não pode ser presidente do Brasil!”. Tomaz sustenta que tais declarações lhe atribuíram a prática de crimes, resultando em danos à sua reputação profissional.
Segundo o advogado, o deputado já havia recebido uma resposta da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) antes de iniciar as acusações em agosto. Na queixa-crime, Tomaz reproduz um trecho do documento da SPU, que afirma não ter sido “identificada nenhuma irregularidade” nas transferências relacionadas ao imóvel. O advogado alega que sua empresa adquiriu os direitos de ocupação e as benfeitorias em julho de 2022, por meio de escritura pública, após obter autorização do órgão e realizar o pagamento de laudêmio.
O advogado também cita decisões judiciais sobre a aquisição e informa que um inquérito instaurado para apurar suspeita de estelionato envolvendo o negócio foi arquivado a pedido do Ministério Público, por decisão da Justiça. Com base nesses elementos, Tomaz contesta as declarações do deputado e solicita que o STF condene Rogério Correia pelos crimes apontados, fixando um valor mínimo de indenização pelos danos alegados.
Além da condenação, o advogado pede o envio de cópias da queixa-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e ao Conselho de Ética da Casa, para que avaliem os fatos em suas respectivas atribuições. Willer Tomaz é amigo próximo de Flávio Bolsonaro, e ambos são investigados em uma apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas esportivas e plataformas de pagamento. Flávio Bolsonaro nega manter relações comerciais com o advogado, afirmando que a relação entre eles é de natureza pessoal.
No dia 23 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Tomaz, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, a suspensão dos passaportes e a paralisação das atividades econômicas, financeiras e empresariais de suas empresas. As medidas foram adotadas após a Polícia Federal identificar que o advogado havia viajado para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo de busca e apreensão em agosto, na Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS.
No dia 26 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes também proibiu o contato entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Já no dia 27 de outubro, o senador viajou para os Estados Unidos com a mulher e as duas filhas, apesar de uma determinação judicial para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
Fonte: JuriNews