Um relatório da Polícia Militar de São Paulo aponta que a campanha de Lula (PT) e órgãos do governo federal, incluindo a Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), teriam obstruído a avenida Paulista e a rua Augusta na véspera do primeiro turno. O documento sustenta que houve descumprimento de uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), que havia condicionado a realização de uma caminhada de Lula até a praça Roosevelt à manutenção daquelas vias livres.
O ato, ocorrido em 3 de outubro, foi marcado por tensão entre a organização e a PM, corporação subordinada ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), com registros de palavras de ordem contra o governador e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O relatório interno da PM, datado de 9 de outubro e assinado pelo major Maurício Bijarta Ferraioli, comandante do efetivo policial, foi encaminhado ao TRE para análise e adoção das providências cabíveis.
Segundo o oficial, a avenida Paulista teve duas faixas bloqueadas com grades a partir das 9h. Ferraioli relata que tentou apresentar a decisão judicial a um servidor do GSI, identificado como major Eliezer. Este teria respondido que o assunto deveria ser reportado ao comandante do GSI e ao coronel aposentado da PM de Brasília Rogério Brito de Miranda, que prestava serviços à campanha de Lula.
O major da PM afirma que os militares do GSI e representantes da campanha de Lula ignoraram orientações para ampliar o espaço reservado ao público e permitir o avanço dos caminhões de som pela rua Augusta, medida que evitaria aglomerações na Paulista.
“Tivemos desrespeito a ordem judicial e descumprimento das determinações operacionais por parte da Polícia Militar, além de indícios de outros fatos graves”, declarou Ferraioli. O oficial detalha que, por volta das 10h50, uma viatura da Polícia Federal foi posicionada diante do primeiro carro de som, impedindo o deslocamento solicitado pela PM.
Ferraioli também relata ter sofrido ofensas por parte do advogado Marco Aurélio Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Lula, e afirma que organizadores incentivaram manifestantes a protestar contra a Polícia Militar.
Após cerca de duas horas de impasse, o major decidiu deixar o local, alegando sentir-se ameaçado. “Devido ao fato de os organizadores estarem potencializando cada vez mais as ameaças contra a minha pessoa e contra os policiais militares que me acompanhavam, decidi sair daquele local”, escreveu no relatório.
OUTRO LADO
Em resposta, o advogado Marco Aurélio Carvalho refutou as declarações e afirmou que atuou para impedir a truculência da tropa. “O comportamento do coronel Rogério [Miranda] foi elegante, educado, o que contrasta com o comportamento deste major, um sujeito truculento, que não tinha controle e que me agrediu e agrediu diversos cidadãos”, afirmou.
O GSI, por sua vez, declarou em nota que sua atribuição é zelar pela segurança do presidente e do vice-presidente, mesmo em eventos eleitorais. O órgão ressaltou que, ao tomar conhecimento da decisão judicial, adotou medidas para o cumprimento da determinação, ajustando o bolsão de gradeamento após a chegada das autoridades.
A Secretaria de Segurança Pública informou que comunicou as condições impostas pelo TRE-SP aos organizadores e orientou o deslocamento dos carros de som para manter as vias livres, conforme a determinação judicial. Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou sobre o caso.
Com informações da Folha de S. Paulo.
Fonte: JuriNews