O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pedirá à Polícia Federal (PF) que investigue a disputa por uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, envolvendo o jogador Richarlison, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. O atacante acusa os dois de terem tomado a posse do imóvel, avaliado em R$ 10 milhões, após ele se recusar a vendê-lo.
A declaração de Lula foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais na noite da quarta-feira (21). O presidente afirmou que pretende esclarecer o caso e descobrir como o jogador teria perdido os direitos sobre a propriedade.
“Estou pedindo para a Polícia Federal investigar para saber onde é que foi feito o trambique que tiraram do pai do bebê em uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões por ela”, declarou Lula, ao se referir ao apelido de Richarlison. O presidente também pediu paciência ao atleta e afirmou que os fatos serão esclarecidos. Richarlison atua no Tottenham Hotspur, da Inglaterra, e já passou pelo Fluminense.
A polêmica ganhou repercussão após Richarlison publicar um vídeo nas redes sociais na quarta-feira (21), no qual acusa Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem obtido a posse da propriedade em apenas 24 horas, sem pagamento, depois que ele recusou uma proposta de venda. “Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, afirmou o atacante.
Segundo Oswaldo Botrel, agente do jogador, Richarlison comprou a ilha dos primeiros posseiros, apontados como os proprietários originais do terreno. O imóvel fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O atleta afirma ter desembolsado R$ 10 milhões pela propriedade e sustenta que o senador demonstrou interesse em adquirir o imóvel, mas não conseguiu concretizar a negociação porque ele não aceitou vendê-lo.
ADVOGADO CONTESTA VERSÃO DO ATACANTE
Willer Tomaz também se manifestou publicamente sobre o caso por meio de um vídeo nas redes sociais. Na gravação, o advogado contestou a versão apresentada pelo jogador e afirmou que a aquisição original do imóvel teria ocorrido de forma irregular. “Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda”, declarou Tomaz, em sua primeira manifestação pública sobre o episódio.
O advogado é apontado como amigo de Flávio Bolsonaro e já foi investigado pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro e de envolvimento em esquemas de fraudes relacionados a descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As suspeitas mencionadas não representam, por si só, comprovação de culpa.
A disputa também chegou ao Ministério Público. O grupo Derrubando Muros, formado por sociólogos, empresários e juristas, entre eles Miguel Reale Júnior, pediu a investigação de Flávio Bolsonaro por suspeitas de advocacia administrativa e grilagem de terras.
José César Martins, sociólogo e coordenador do grupo, afirmou que o objetivo é apurar a possível irregularidade na obtenção da posse da ilha e verificar se houve uso de influência política no episódio. “O objeto é a grilagem, mas esse caso ocorreu no último ano de Jair Bolsonaro na Presidência. É preciso apurar se ele usou a posição de filho”, declarou Martins.
O caso envolve, portanto, versões conflitantes sobre a origem da propriedade e a transferência da posse do imóvel. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da aquisição e os fatos apontados nas acusações.
Fonte: JuriNews