Tenente-coronel nega em depoimento à Justiça que matou sua esposa Gisele Alves

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, declarou à Justiça que não cometeu o crime e que permanece preso injustamente há mais de 200 dias. O depoimento, que durou mais de oito horas, foi prestado no dia 5 de outubro no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, com a presença de representantes do Ministério Público, da defesa do oficial e do advogado da família da vítima.

Durante o interrogatório, Neto afirmou que foi criada uma narrativa de que ele seria um homem agressivo e violento. “Porque até o dia 18 de fevereiro de 2026 [dia da morte da soldado], se eu colocasse o meu nome no Google, tinha tantas coisas boas de mim, tantas ocorrências boas, 35 anos de serviço […] Eu não sou um assassino”, declarou o réu.

O oficial foi preso preventivamente no dia 18 de março, um mês após a morte de Gisele Alves, e segue sob custódia no Presídio Militar Romão Gomes, na zona Norte de São Paulo. Ao descrever sua rotina no cárcere, Neto afirmou que “todo dia parece um pesadelo” e reiterou que não matou a esposa, sustentando a tese de que a soldado tirou a própria vida após ele comunicar a decisão de se separar.

A versão de suicídio, contudo, foi descartada pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. O laudo pericial apontou a impossibilidade de Gisele ter atirado contra a própria cabeça, identificando divergências entre a versão apresentada pelo réu e os vestígios físicos encontrados. Os peritos realizaram testes de capacidade física e mecânica, além de análises de visibilidade e do padrão de escorrimento de sangue, concluindo pela intervenção de uma segunda pessoa na morte da soldado.

Sobre a tentativa de separação, o tenente-coronel alegou que tentava o divórcio há meses devido ao comportamento supostamente agressivo da esposa, afirmando que as mensagens de Gisele sobre o tema seriam “blefes”. Entretanto, o inquérito policial anexou trocas de mensagens que contradizem o relato do réu. Em uma das conversas recuperadas, Gisele escreveu: “Quero me separar. Vou ser ex, não corna”, justificando a decisão pela falta de confiança após uma traição.

Geraldo Leite Rosa Neto responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual, sob a acusação de ter interferido na cena do crime. Para o Ministério Público, o homicídio foi motivado por sentimento de posse e pela recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento, sendo o crime qualificado pela impossibilidade de defesa da vítima. Após o interrogatório, as partes devem apresentar as alegações finais, para que a juíza do caso decida se o processo será submetido a júri popular.

Fonte: JuriNews

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