Dino expõe ameaças de morte a ministros em relatório e diz que “se um juiz tiver medo, não existe Constituição”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, utilizou, nesta sexta-feira (9), suas redes sociais para expor trechos de um relatório de segurança da Corte que detalha campanhas de intimidação e ameaças de morte direcionadas a ele e a outros magistrados.

De acordo com o documento divulgado, a rede social X concentra o maior volume e a maior proporção de postagens hostis contra os membros do tribunal. O relatório oficial do STF aponta que as publicações de maior gravidade trazem “menções a fuzilamento, explosão, enforcamento e esquartejamento”.

Ao relatar o caso, o ministro descreveu o teor do documento e defendeu seu histórico profissional: “Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas. Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal. O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência.”

A tabela de monitoramento exposta na imagem compila postagens realizadas entre os dias 1º e 6 de outubro. Entre as ameaças registradas no relatório, usuários sugerem “explodir o Gilmar Moraes Dino Zanin Toffoli Gonet Andrey” e “invadir o STF e fazer com moraes, dino e zanin igual fizeram com tiradentes, cabecinha em praça publica”. Dino é alvo direto de declarações que pedem que ele seja o “primeiro a ser fuzilado” por ter “proibido o acesso às armas”, além de postagens afirmando que ele “vai pagar com sangue” por ter supostamente “travado as emendas parlamentares pra ajudar Lula”.

Diante do conteúdo do relatório, Flávio Dino reforçou que o descontentamento popular deve seguir os ritos democráticos. “Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”, afirmou.

O ministro encerrou o texto garantindo a manutenção de sua postura no tribunal e alertando para o impacto do extremismo nas instituições da República. “Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou. Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.”

Fonte: JuriNews

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